Minha Receita · Queda de cabelo
Queda de cabelo: quando o tratamento pode ser avaliado por formulário
Aqui pode pedir que um médico avalie, por formulário, o tratamento da queda de cabelo de padrão masculino e, se for adequado, receber a receita em PDF. Em Portugal, a finasterida em comprimidos exige receita médica; o minoxidil para aplicar no couro cabeludo vende-se sem ela. Explicamos para quem é cada tratamento, os efeitos indesejáveis a conhecer e quando ir a um dermatologista.
Que tipo de queda de cabelo se pode avaliar à distância
A forma mais frequente de queda de cabelo no homem é a alopecia androgenética, a chamada calvície. Segundo a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, instala-se de forma lenta em pessoas com tendência genética e concentra-se nas entradas e no cimo da cabeça, poupando as zonas laterais e a parte de trás. É este o quadro que um médico consegue avaliar a partir de uma descrição cuidada e de fotografias. Outras formas de queda têm causas e tratamentos diferentes. A queda difusa que surge semanas depois de um emagrecimento rápido, de um parto, de stress intenso, de uma infeção ou de uma mudança de medicação, o eflúvio telógeno, tem uma causa que convém identificar. As peladas, zonas arredondadas sem cabelo, são outra doença, a alopecia areata. Nestes casos, o tratamento da calvície não é a resposta. Na mulher, a alopecia androgenética afeta sobretudo a zona central do couro cabeludo. Quando a perda é marcada ou surge com acne, excesso de pelos, pele oleosa ou ciclos menstruais irregulares, pode justificar-se um estudo hormonal, que exige uma consulta presencial.
Como decorre o pedido
No formulário clínico descreve há quanto tempo nota a queda, onde se concentra, que tratamentos já fez, que medicamentos toma e que doenças tem, e responde a algumas perguntas de segurança. O médico pode pedir-lhe fotografias do couro cabeludo, de frente e do cimo da cabeça, tiradas com boa luz, porque ajudam a reconhecer o padrão da queda. Depois de ler o pedido, o médico decide entre emitir a receita, pedir-lhe mais informação ou recusar. Recusa, por exemplo, quando a queda não corresponde ao padrão masculino, quando há uma contraindicação ou quando o couro cabeludo precisa de ser observado. Se houver receita, recebe-a por e-mail em PDF. Não há videochamada nem marcação, e toda a comunicação é escrita.
O que o formulário pergunta
As perguntas de segurança traduzem os limites do tratamento. Pergunta-se se é mulher em idade fértil, porque nesse caso a finasterida não se usa. Pergunta-se se o cabelo está a cair de forma súbita, em placas, ou com comichão ou vermelhidão do couro cabeludo, porque esse quadro deve ser visto por um dermatologista e o tratamento da calvície pode não ajudar. Pergunta-se também se tem ou teve cancro da próstata ou o PSA elevado, porque a finasterida baixa o valor do PSA e isso tem de ser tido em conta nas análises; se tem ou teve depressão ou pensamentos suicidas, por causa das alterações do humor descritas com este medicamento; se tem alguma doença do fígado; e se já usou finasterida ou minoxidil, e com que resultado.
Finasterida: como atua e o que deve saber antes de começar
A finasterida em comprimidos de 1 mg bloqueia a enzima que transforma a testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), a hormona que, em quem tem predisposição, encurta a fase de crescimento do cabelo. Está indicada em homens dos 18 aos 41 anos com queda ligeira a moderada e, em Portugal, é um medicamento sujeito a receita médica. Não se destina a mulheres: não atua na queda de cabelo feminina e representa um risco para o feto. Mulheres grávidas ou que possam engravidar não devem manusear comprimidos partidos ou esmagados. O efeito é lento. Segundo o folheto informativo, podem ser precisos 3 a 6 meses de toma diária até se ver o efeito completo, e o cabelo recuperado pode perder-se no prazo de 9 a 12 meses depois de parar. Os efeitos indesejáveis devem ser conhecidos à partida. Estão descritos menor desejo sexual, dificuldade de ereção e problemas de ejaculação, e foram notificados casos em que persistiram depois de parar o tratamento. Em 2025, a Agência Europeia de Medicamentos confirmou os pensamentos suicidas como efeito indesejável dos comprimidos de finasterida: perante qualquer alteração do humor, a indicação é parar o medicamento e contactar um médico de imediato, e as embalagens passaram a incluir um cartão do doente com este aviso. Alterações na mama, como nódulos, dor ou corrimento pelo mamilo, também devem ser comunicadas ao médico.
Minoxidil: vende-se sem receita, mas tem regras
Em Portugal, o minoxidil em solução cutânea a 2% e a 5% e em espuma cutânea a 5% consta da lista de medicamentos não sujeitos a receita médica do INFARMED. Se procura apenas este tratamento, não precisa de receita e pode falar diretamente com o farmacêutico. Pode, ainda assim, referi-lo no formulário se o quer associar a outro tratamento. O minoxidil aplica-se apenas no couro cabeludo, sobre pele saudável e intacta. Os efeitos indesejáveis mais frequentes são locais: comichão, secura, descamação e irritação. Pode surgir crescimento de pelos fora da zona tratada, e o folheto alerta para o contacto de crianças com a pele onde o produto foi aplicado. Quem tem doença cardíaca ou toma medicamentos para a tensão arterial deve falar com o médico antes de o usar, e o uso não é aconselhado na gravidez nem na amamentação. Também aqui o resultado leva meses a aparecer e perde-se se o tratamento for interrompido.
Quando a queda deve ser vista por um dermatologista
Procure um dermatologista, ou fale primeiro com o seu médico de família, se o cabelo começou a cair de repente ou em placas, se o couro cabeludo tem comichão, vermelhidão, descamação, dor ou feridas, se perdeu também pelos da barba ou das sobrancelhas, ou se a queda vem acompanhada de cansaço, alterações de peso ou outros sintomas gerais. O mesmo vale para a queda de cabelo em crianças e adolescentes e para a mulher com sinais de alteração hormonal. Nestas situações é preciso observar o couro cabeludo e, muitas vezes, fazer análises, e um formulário não substitui esse exame.
A receita e a farmácia
Se o médico emitir receita, recebe-a em PDF: é uma receita transfronteiriça, prevista pela Diretiva de Execução 2012/52/UE. Não é uma receita do SNS: não tem código de acesso, não está associada ao número de utente e não aparece na sua área de utente. A avaliação e a receita são da responsabilidade do Dr. Damian Wojno, médico inscrito na Ordem dos Médicos da Polónia (secção de Olsztyn), com a licença profissional 3211301. Imprima-a e apresente-a na farmácia com o documento de identificação que indicou no formulário. A dispensa é decidida pelo farmacêutico, que pode recusar se tiver dúvidas fundamentadas, e nem todas as farmácias conhecem bem este tipo de receita: telefone antes, se puder. O medicamento é pago na farmácia, à parte da avaliação. Não vendemos medicamentos.
Fontes
- Agência Europeia de Medicamentos (EMA) - finasterida e dutasterida: medidas para minimizar o risco de pensamentos suicidas (2025)
- INFARMED - Lista de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM)
- INFARMED - Infomed, base de dados de medicamentos (resumos das características e folhetos informativos)
- Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia - Doenças da pele: calvície e outras alopecias
- Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia - Alopecia areata
Revisão clínica: Dr. Damian Wojno (Ordem dos Médicos da Polónia, secção de Olsztyn, licença profissional n.º 3211301) · Atualizado em · Linhas editoriais · Operador: MEDINOW Sp. z o.o.. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.